Numa manhã
nublada depois de um croissant e de um café, caminhámos para o Mercado do
Bolhão, recolhemos algumas expressões linguísticas dos trabalhadores e também
as suas vidas nesse mercado histórico do porto.
D. Alice.
84 Anos.
Uma senhora
bem-disposta, alegre e muito simpática, começou-nos por contar sobre a origem
da palavra bolhão, ou seja, ela disse que antigamente era uma bolha de água, um riacho que descia até ao rio Douro. Mais tarde, construíram o mercado,
que ainda hoje, se fizermos um buraco no chão, encontramos a bolha de água e
assim surge o nome “Mercado do Bolhão”.
Ao fazer as
questões relacionadas com as expressões à moda do norte, as únicas que as
vendedoras conheciam eram “vai no batalha” (não acreditar em algo) e “estar
com os vitorinos encharcados”( estar bêbedo).
Numa das
questões que fizemos, apercebemo-nos que existe mesmo a pronúncia do norte, pelo facto de se abrir muito as vogais, como por exemplo nas palavras "ponte", "fonte" e "morto".
De seguida
dirigimo-nos à frutaria, para saber a diferença entre magnórios e nêsperas.
Falamos com a senhora responsável pela sua banca e ela disse que não havia
diferença entre as duas, já que são as duas a mesma fruta, utilizando-se apenas palavras
diferentes.
Mencionamos
algumas expressões para saber o seu significado, tais como, “Dar a filoxera a
alguém”, “Vai no Batalha” e “Doer o garfeiro todo”, pelo que houve uma certa
dificuldade por parte da vendedora em saber o seu significado.
Saímos do
Bolhão em direção à Ribeira, paramos na Sé e questionámos uma senhora de 74 anos
que estava a vender peixe na rua. Perguntamos o que significava a palavra
“Morcão”, se existia diferença de falares entre o Norte e o Sul e a sua importância. Soubemos que
segundo a sua opinião ela considerava existir realmente diferenças notórias
no que respeita aos falares do norte e sul.
Seguimos em
direção à Ribeira e entramos numa loja de fado na Rua Escura. Entrevistamos o
senhor responsável pela mesma, conhecido pelo "Toni das Violas". Ao entrarmos na
loja, reparamos que a mesma estava cheia de violas e posters referentes ao
fado, já que o “Toni” arranjava instrumentos musicais. A pergunta que se seguiu
foi se havia discriminação entre os diferentes falares (norte e sul). Ele dizia
que os do sul gozavam connosco quando éramos nós a gozar com eles e deu o exemplo
da palavra (carago). Para finalizar a entrevista, o senhor mostrou-nos um exemplo de
um fado cantado por ele.
Continuando
a nossa caminhada, entrevistamos uma senhora na rua, com o objetivo de encontrar
alguém natural da Ribeira. Por azar, o senhor morava lá mas era natural de Lisboa, referindo algumas diferenças entre palavras do norte e do sul.
Já na
Ribeira, dirigimo-nos a uma tasca e entrevistamos uma senhora lá presente, as
perguntas que surgiram foram sobre o centro histórico do Porto e desde quando é considerado como sendo
Património cultural da Humanidade. Perguntou-se também se considerava que havia
rivalidade entre o falar do norte e sul.
Para
finalizar a nossa longa viagem, paramos em Miragaia e abordamos uma senhora
para sabermos o que se fazia na Cantareira antigamente e o que é o “estaleiro
do ouro”. A senhora acabou a entrevista a cantar um bocado de uma música popular de
Miragaia.
Com este
passeio e reportagem, concluímos que existe realmente muita diversidade nos falares, mesmo na própria
cidade do Porto. Para além disso, sentimos que as pessoas gostam das expressões próprias que utilizam, das variações linguísticas porque estão muito relacionadas com a sua identidade, a identidade própria do povo do norte. De notar que fomos encontrando, ao longo do percurso, gentes provenientes de várias regiões de Portugal, pelo que havia uma certa mistura nas maneiras de se expressarem. Achamos que é desta forma que a língua vai evoluindo, enriquecendo, tornando-se cada vez mais bela!
Redatores:
Amilton Dias
Cátia Santos
Hugo Ferreira
Jorge Albuquerque
Em breve, apresentaremos neste blogue o filme elaborado pela nossa turma! Não percam!