Manhã cinzenta.
Uma brisa húmida pequenina invadia o hall de entrada decorado com as enormes tílias sorridentes. A juventude ensonada erguia-se ao som da voz da guia que, num tom enérgico e apelativo, lhes contava as histórias de cada árvore, folha, da casa Andresen e dos seus ocupantes, João e Joana (avós de Sophia de Mello Breyner).
Uma brisa húmida pequenina invadia o hall de entrada decorado com as enormes tílias sorridentes. A juventude ensonada erguia-se ao som da voz da guia que, num tom enérgico e apelativo, lhes contava as histórias de cada árvore, folha, da casa Andresen e dos seus ocupantes, João e Joana (avós de Sophia de Mello Breyner).
Por todo o Jardim, vestígios da inspiração que pincelaram alguns contos infantis escritos por Sophia: as marcas do velho carvalho, habitação de um anão imaginado no conto "A floresta", a estátua feminina de bronze que vigiava o dormitar silencioso das rãs, inspiração para o conto "Rapaz de Bronze". Prosseguiam, arrastando os ténis desapertados, espreitando por entre as verdes e frescas folhagens que escondiam recantos, a Casa do Gato (a velha adega da quinta que era guardada por um gato), as estufas, umas decrépitas e enrugadas pelo passar do tempo, outras recentemente maquilhadas, albergando algumas espécies de flora não muito comuns.
Questionaram, tocaram, brincaram, lembrando tempos de criança, seguros de que ali seria um sítio onde voltariam para poder tranquilamente estar e usufruir da magia que enfeitiçou também a poetisa Sophia de Mello Breyner.