Páginas

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A viagem no tempo



“A serra tem bocados em que se humaniza”

Eça de Queirós (aquando da sua visita a Santa Cruz do Douro em 1892)

 
Por vezes, mergulhados numa inércia própria do “pantufismo” consumista, proposto pela sociedade, esquecemo-nos das maravilhas que nos circundam. Eça falou-nos desta dicotomia campo/cidade no seu livro “A cidade e as Serras” e brindou-nos com descrições minuciosas sobre cada uma destas dimensões.

Claro que é sempre agradável estarmos resguardados no conforto da nossa casa, rodeados por coisas que nos facilitam as vidas, tornando-as mais ágeis e rápidas. Mas para quê a rapidez? Para chegar onde exatamente? O que nos orienta? O que nos move e para onde? O que nos faz sentir vivos? Ao longo dos anos, a evolução, apesar de positiva, tem-nos vindo a afastar desta dimensão natural, abafando-nos numa redoma tépida de facilitismos que nos embriagam numa miríade fabulosa de sensações viciantes, adormecendo-nos aos poucos, anestesiando o nós que ainda pulsa num profundo que cada vez mais nos é desconhecido. Até o tememos, este nosso desconhecido!

Esta visita, para além de nos lançar no imaginário queirosiano, ofereceu-nos ainda a oportunidade de podermos partilhar um pouco de nós com os outros, um pouco da nossa sabedoria, para além de percorrermos também um caminho interior que nos irá proporcionar um encontro com a tal dimensão natural muitas das vezes esquecida por nós.

 
“Uma paisagem nunca vista é uma grande felicidade, e em cada volta há sempre algo novo.”

 
Henry David Thoreau, “Caminhada”

T.P.

Sem comentários:

Enviar um comentário