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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Instantes pintados em letras


“Numa tarde de Inverno, o dia era soalheiro e calmo. Eu e o meu colega estávamos de livro na mão num curto espaço de tempo dedicado à leitura.
Era agradável o ambiente, ele lia, eu ouvia, disfrutava de um cigarro que lentamente queimava ao sabor da brisa que ali passava enquanto ouvia as palavras do testemunho de José Cardoso Pires, algo inédito... Testemunho esse de uma doença que ele tivera e relatara de uma maneira incrível, pormenorizada, parecia que eu próprio estava a viver a sua história.
Mudança de plano, agora era a minha vez de ler e saltar as linhas de parágrafos inacabados (uma maneira diferente de escrever, tal como José Saramago), eu conseguia viver a sua história, visualizava, repartia as sensações com quem ouvia e com quem escreveu… Uma história marcante, não sei se pela escrita em si, ou se pelos factos relatados, o que é certo é que foi uma história vivida intensamente, sentia-me invadido pelas palavras e pela ansiedade do virar da página e viver, viver ainda mais, a vida de José Cardoso Pires.
Com certeza continuara se o tempo não terminasse e ficasse um terço do livro por ler, mais oportunidades destas surgirão, talvez agora, numa tarde de verão. “

Fábio Soares

“Com sol a bater na cara com os olhos entreabertos, letras pequeninas entravam no meu subconsciente e saíam pela minha boca, por vezes bem e por outras sem pontuação, mas é assim a lei de quem não tem por hábito a leitura recreativa. No entre linhas de leituras paralelas escutou-se ao fundo, num banco distante com vozes um tanto ruidosas, formandos entusiasmados com a força e a emoção que a leitura nos trouxe...”
Carlos Rocha Pereira
 “Estava frio na altura que saímos da sala para seguirmos para o exterior. No início da leitura, o sol aquecia-me as mãos, no final eram as palavras que aqueciam a minha alma. Ao entrar na sala, sentia a minha alma arrefecer pois as palavras nas folhas ficaram a dormir.”
João Jesus
 “Comecei por sentir imenso sono e para evitar adormecer acendi um cigarro enquanto o Rui lia. O tempo estava agradável mas a penca do Rui fazia sombra ao sol.
 A história já ia a meio, estando já Abraão numa tentativa louca de salvar os inocentes de Sodoma e Gomorra. O tipo era fraco, salvou apenas duas raparigas o pai e a mãe foi vendida para sal. O Caim andava pelas tendas a fazer filhos às mulheres da cidade.
A experiência foi engraçada, continuo sem gostar de ler, se bem que arranjei uma nova forma de talvez conseguir entreter a ideia.”
Mauro Monteiro
 “O Barulho dos carros a andar nas estradas misturado com a leitura do Santiago e de um barulho de fundo mesmo baixinho dos resto dos colegas de turma a lerem cada um o seu livro.
Cheiro não senti pois estou constipado, mas quando havia expressões de espaço em que havia menções de odor parecia que sentia esse cheiro.
Visualizei a maior parte do tempo o livro, que envolvia as palavras construídas por letras, cada uma a transcrever algo para o meu pensamento.”
Ricardo Viana


“Uma linda tarde, em que o sol raiava mas era o frio quem reinava. Havia uma guerra intensa, era a literatura a defrontar o frio. Estavam cara a cara. Felizmente a literatura acabou por vencer e contagiar quem a rodeava. Letra após letra, um pequeno monumento cheio de sabedoria se iria erguendo e ia aquecendo o interior de cada um. Ao virar de cada página, o coração acelerava com a emoção de descobrir o que há muito estava escondido a espera de ser lido. Um livro que continha um diário, foi o que me calhou. Uma sensação de estar a viver a vida de outrem. Entre pulos de alegria e tombos de tristeza, sem me aperceber lá ia penetrando num livro profundo. Até que fui interrompido por um colega que começou a fazer leitura à desgarrada comigo, momentos de diversão que me proporcionaram sentimentos adormecidos em mim. 
Enfim, foi um belo momento de leitura!”

Ricardo Pinto
 “Estava uma bela tarde para uma bela leitura, estava um tempo agradável, o sol que me batia nas costas era um sol quentinho e confortante. A paisagem também não ficou nada atrás do grande clima que se vivia naquele momento.
A leitura estava óptima e apaixonante, por momentos dava por mim de olhos fechados a imaginar-me dentro da história.”

Ruben Santiago
 “Nesta tarde de leitura no exterior, senti um bocadinho de frio na pele, quando passava uma vez ou outra uma leve brisa. Ouvia o meu parceiro a ler, com uma voz profunda, como quem sentia o que estava lendo e decidi partilhar essa sensação. Desse modo, deitei-me no banco a olhar para o céu e observava as gaivotas enquanto ouvia a leitura do meu colega. Senti uma calma de espírito nesse instante, e um relaxamento interior que me acalmou a alma.”
Ruben Silva


“Estava a sentir o abraço quente e aconchegante do sol numa tarde fria de Outono, calma, assim como a paisagem que a envolvia, numa cidade ainda adormecida pelos sons dos carros que por ela passavam. Assim estava a ser a minha leitura, apetrechada de boas sensações e cada página tinha o poder de intensificar ou de mudar o que estava a sentir e assim é o poder da leitura.
Somos aquilo que lemos!”

Tiago Moreira


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