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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

À procura de uma vida melhor

 


Viajar é um meio que leva o ser humano a renovar-se interiormente. Leva a pessoa a fazer uma reflexão relativamente a conceitos, rever posicionamentos pessoais e também retomar valores que achamos de absoluta importância.

Na viagem é possível haver muitas oportunidades de aprendizagem, como conhecer pessoas de outras cidades ou etnias e assim podemos aumentar o nosso círculo de amizades. A viagem proporciona a quem viaja um bem-estar, um voltar a si, é um adquirir de conhecimentos.
Quando nós portugueses saímos do nosso país ”Portugal” à procura de uma vida melhor, é um risco porque pode correr mal mas também pode correr bem, pois temos de saber para onde vamos e se temos trabalho garantido, porque às vezes dizem-nos que temos trabalho e chegamos ao destino e não é verdade, acontece com muitos e muitos emigrantes.
 
Existem alguns benefícios como enriquecer tanto em linguagem como na forma de saber lidar com os problemas da vida, também ficamos com mais conhecimento a nível de culturas, pessoas, línguas, etc.

Existem algumas implicações como por exemplo, a Língua porque temos que saber falar a língua desse mesmo país e isso, por vezes, atrapalha o integramento nessa sociedade… para além das saudades que sentimos da família e do país natal, pois tem de se saber gerir bem as emoções.
Depois pouco a pouco, começa-se por conhecer novas pessoas que muitas vezes são portugueses e, por vezes, da nossa cidade que faz com que fiquemos ainda mais felizes, porque já não nos sentimos tão sozinhos.

De resto vai-se vivendo como em Portugal, renda de casa para pagar, comida, carro, é tudo igual… mas com mais ajudas para as crianças do que em Portugal, assim vai-se vivendo a vida pouco a pouco. Passado algum tempo habituámo-nos aquele país, à língua, às pessoas, etc. É tudo uma questão de hábito. Ganha-se mais do que em Portugal, e quem souber poupar o dinheiro pode levar uma boa vida.

Tentar e falhar é Pelo Menos APRENDER. Não chegar a tentar é sofrer uma inestimável Perda do que poderia ter Sido." (Geraldo Eustáquio)
Vanessa Silva
Rafael
Hélder

 

Instantes pintados em letras


“Numa tarde de Inverno, o dia era soalheiro e calmo. Eu e o meu colega estávamos de livro na mão num curto espaço de tempo dedicado à leitura.
Era agradável o ambiente, ele lia, eu ouvia, disfrutava de um cigarro que lentamente queimava ao sabor da brisa que ali passava enquanto ouvia as palavras do testemunho de José Cardoso Pires, algo inédito... Testemunho esse de uma doença que ele tivera e relatara de uma maneira incrível, pormenorizada, parecia que eu próprio estava a viver a sua história.
Mudança de plano, agora era a minha vez de ler e saltar as linhas de parágrafos inacabados (uma maneira diferente de escrever, tal como José Saramago), eu conseguia viver a sua história, visualizava, repartia as sensações com quem ouvia e com quem escreveu… Uma história marcante, não sei se pela escrita em si, ou se pelos factos relatados, o que é certo é que foi uma história vivida intensamente, sentia-me invadido pelas palavras e pela ansiedade do virar da página e viver, viver ainda mais, a vida de José Cardoso Pires.
Com certeza continuara se o tempo não terminasse e ficasse um terço do livro por ler, mais oportunidades destas surgirão, talvez agora, numa tarde de verão. “

Fábio Soares

“Com sol a bater na cara com os olhos entreabertos, letras pequeninas entravam no meu subconsciente e saíam pela minha boca, por vezes bem e por outras sem pontuação, mas é assim a lei de quem não tem por hábito a leitura recreativa. No entre linhas de leituras paralelas escutou-se ao fundo, num banco distante com vozes um tanto ruidosas, formandos entusiasmados com a força e a emoção que a leitura nos trouxe...”
Carlos Rocha Pereira
 “Estava frio na altura que saímos da sala para seguirmos para o exterior. No início da leitura, o sol aquecia-me as mãos, no final eram as palavras que aqueciam a minha alma. Ao entrar na sala, sentia a minha alma arrefecer pois as palavras nas folhas ficaram a dormir.”
João Jesus
 “Comecei por sentir imenso sono e para evitar adormecer acendi um cigarro enquanto o Rui lia. O tempo estava agradável mas a penca do Rui fazia sombra ao sol.
 A história já ia a meio, estando já Abraão numa tentativa louca de salvar os inocentes de Sodoma e Gomorra. O tipo era fraco, salvou apenas duas raparigas o pai e a mãe foi vendida para sal. O Caim andava pelas tendas a fazer filhos às mulheres da cidade.
A experiência foi engraçada, continuo sem gostar de ler, se bem que arranjei uma nova forma de talvez conseguir entreter a ideia.”
Mauro Monteiro
 “O Barulho dos carros a andar nas estradas misturado com a leitura do Santiago e de um barulho de fundo mesmo baixinho dos resto dos colegas de turma a lerem cada um o seu livro.
Cheiro não senti pois estou constipado, mas quando havia expressões de espaço em que havia menções de odor parecia que sentia esse cheiro.
Visualizei a maior parte do tempo o livro, que envolvia as palavras construídas por letras, cada uma a transcrever algo para o meu pensamento.”
Ricardo Viana


“Uma linda tarde, em que o sol raiava mas era o frio quem reinava. Havia uma guerra intensa, era a literatura a defrontar o frio. Estavam cara a cara. Felizmente a literatura acabou por vencer e contagiar quem a rodeava. Letra após letra, um pequeno monumento cheio de sabedoria se iria erguendo e ia aquecendo o interior de cada um. Ao virar de cada página, o coração acelerava com a emoção de descobrir o que há muito estava escondido a espera de ser lido. Um livro que continha um diário, foi o que me calhou. Uma sensação de estar a viver a vida de outrem. Entre pulos de alegria e tombos de tristeza, sem me aperceber lá ia penetrando num livro profundo. Até que fui interrompido por um colega que começou a fazer leitura à desgarrada comigo, momentos de diversão que me proporcionaram sentimentos adormecidos em mim. 
Enfim, foi um belo momento de leitura!”

Ricardo Pinto
 “Estava uma bela tarde para uma bela leitura, estava um tempo agradável, o sol que me batia nas costas era um sol quentinho e confortante. A paisagem também não ficou nada atrás do grande clima que se vivia naquele momento.
A leitura estava óptima e apaixonante, por momentos dava por mim de olhos fechados a imaginar-me dentro da história.”

Ruben Santiago
 “Nesta tarde de leitura no exterior, senti um bocadinho de frio na pele, quando passava uma vez ou outra uma leve brisa. Ouvia o meu parceiro a ler, com uma voz profunda, como quem sentia o que estava lendo e decidi partilhar essa sensação. Desse modo, deitei-me no banco a olhar para o céu e observava as gaivotas enquanto ouvia a leitura do meu colega. Senti uma calma de espírito nesse instante, e um relaxamento interior que me acalmou a alma.”
Ruben Silva


“Estava a sentir o abraço quente e aconchegante do sol numa tarde fria de Outono, calma, assim como a paisagem que a envolvia, numa cidade ainda adormecida pelos sons dos carros que por ela passavam. Assim estava a ser a minha leitura, apetrechada de boas sensações e cada página tinha o poder de intensificar ou de mudar o que estava a sentir e assim é o poder da leitura.
Somos aquilo que lemos!”

Tiago Moreira


sábado, 30 de novembro de 2013

Visita à Fundação Eça de Queirós


Uma ideia fenomenal do Dr. Jair fez com que duas das turmas de aprendizagem de Multimédia, do CESAE Porto percorressem uns bons quilómetros que separam Porto de Baião.

Caldas de Arêgos era o nome da estação até porque o meio escolhido foi o comboio. Pela manhã, concentraram-se em São Bento com aquele espírito de quem vai conhecer coisas novas e a aventura começou. Liderados pela Drª Mª José (mulher com M grande) a "caravana" do CESAE disfrutou da paisagem do Douro e da maravilhosa leitura em pleno andamento da carruagem. Entre risos e fotografias todos confraternizaram e tiveram uma viagem agradável. Mas ninguém esperava por um caminho pedonal tão complicado, desde a estação até à graciosa casa de Eça de Queirós: terrenos íngremes e com muitas pedras...

Os caminhos de Jacinto fizeram com que a necessidade de água para os alunos fosse relevante. Com muito esforço e várias paragens, todos conseguiram chegar ao destino, onde já os esperava o belo almoço tradicional de Eça.... com o apetite a surgir nos presentes. A monitora que os recebeu com a máxima simpatia esperava-os no auditório da casa para assistirem a um pequeno documentário relativamente à vida e obra do escritor.

Seguidamente, passaram para a cozinha onde as entradas para o almoço já os esperavam, desde presunto até uns deliciosos cogumelos recheados com queijo. O Dr.Jair voltou a ler alguns excertos do livro "As cidades e as serras" e as turmas prosseguiam com o almoço queirosiano (canja de galinha, arroz de favas com frango dourado e leite creme,). Tudo regado com diversas bebidas: água, sumos e o bom vinho de Tormes, produzido na Adega da Fundação, para compensar o esforço tido na inclinada subida.

Da parte da tarde, a visita pela casa iniciou-se de forma tranquila e ordeira. O ponto alto foi serem recebidos pela D.Maria da Graça, 93 anos, viúva do neto de Eça de Queirós. Falaram com esta senhora e fizeram algumas questões pois estavam com muita curiosidade. Objetos, obras e características da casa foram divulgados para espanto de alguns. Terminando a fenomenal visita, voltaram com tranquilidade à estação com um sinal na mente: de que aquela visita os tinha enriquecido muito! A viagem e o regresso foram animados e proveitosos.

Foi um dia diferente com convívio, companheirismo e, sobretudo, união! Para repetir!!

João Martins (formando da turma de Multimédia, CESAE Porto)

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A viagem no tempo



“A serra tem bocados em que se humaniza”

Eça de Queirós (aquando da sua visita a Santa Cruz do Douro em 1892)

 
Por vezes, mergulhados numa inércia própria do “pantufismo” consumista, proposto pela sociedade, esquecemo-nos das maravilhas que nos circundam. Eça falou-nos desta dicotomia campo/cidade no seu livro “A cidade e as Serras” e brindou-nos com descrições minuciosas sobre cada uma destas dimensões.

Claro que é sempre agradável estarmos resguardados no conforto da nossa casa, rodeados por coisas que nos facilitam as vidas, tornando-as mais ágeis e rápidas. Mas para quê a rapidez? Para chegar onde exatamente? O que nos orienta? O que nos move e para onde? O que nos faz sentir vivos? Ao longo dos anos, a evolução, apesar de positiva, tem-nos vindo a afastar desta dimensão natural, abafando-nos numa redoma tépida de facilitismos que nos embriagam numa miríade fabulosa de sensações viciantes, adormecendo-nos aos poucos, anestesiando o nós que ainda pulsa num profundo que cada vez mais nos é desconhecido. Até o tememos, este nosso desconhecido!

Esta visita, para além de nos lançar no imaginário queirosiano, ofereceu-nos ainda a oportunidade de podermos partilhar um pouco de nós com os outros, um pouco da nossa sabedoria, para além de percorrermos também um caminho interior que nos irá proporcionar um encontro com a tal dimensão natural muitas das vezes esquecida por nós.

 
“Uma paisagem nunca vista é uma grande felicidade, e em cada volta há sempre algo novo.”

 
Henry David Thoreau, “Caminhada”

T.P.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pelos trilhos de Sophia de Mello Breyner...

Manhã cinzenta.
Uma brisa húmida pequenina invadia o hall de entrada decorado com as enormes tílias sorridentes. A juventude ensonada erguia-se ao som da voz da guia que, num tom enérgico e apelativo, lhes contava as histórias de cada árvore, folha, da casa Andresen e dos seus ocupantes, João e Joana (avós de Sophia de Mello Breyner).


Por todo o Jardim, vestígios da inspiração que pincelaram alguns contos infantis escritos por Sophia: as marcas do velho carvalho, habitação de um anão imaginado no conto "A floresta", a estátua feminina de bronze que vigiava o dormitar silencioso das rãs, inspiração para o conto "Rapaz de Bronze". Prosseguiam, arrastando os ténis desapertados, espreitando por entre as verdes e frescas folhagens que escondiam recantos, a Casa do Gato (a velha adega da quinta que era guardada por um gato), as estufas, umas decrépitas e enrugadas pelo passar do tempo, outras recentemente maquilhadas, albergando algumas espécies de flora não muito comuns.

Questionaram, tocaram, brincaram, lembrando tempos de criança, seguros de que ali seria um sítio onde voltariam para poder tranquilamente estar e usufruir da magia que enfeitiçou também a poetisa Sophia de Mello Breyner.