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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

O que é a Campanha Porto Abrigo?



Esta campanha visa ajudar aqueles que precisam de abrigo.

« Abrigo
1. Lugar de refúgio contra a intempérie.
2. porto; baía; enseada.
3.  [Figurado]  amparo.
"abrigo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/abrigo

Quando se fala de abrigo, fala-se de refúgio, de amparo, de proteção contra as intempéries da vida e, assim, o objetivo desta campanha é precisamente oferecer esse mesmo porto de auxílio para aqueles que mais necessitam dele. O abrigo compõe-se também de palavras de conforto, de gestos e  de produtos essenciais para suprir as necessidades básicas do ser humano.

A campanha serve, então, para sensibilizar a população em geral para a situação de miséria em que muitas pessoas vivem (algumas vivendo em miséria camuflada, não tendo mesmo a coragem de se mostrar), pelo que urge, assim, tomar-se uma atitude, através de diversas formas.

Sendo assim, a campanha pretende espalhar alguma esperança e felicidade na cidade do Porto através da distribuição de :
-         géneros alimentícios para bebés e adultos
-         produtos de higiene para bebés
-         brinquedos
-         roupa e calçado para bebé, criança e adulto
-         palavras de conforto e de esperança (cartões/bilhetes/cartas).

 A campanha Porto Abrigo será realizada nas instalações do CESAE até dia 17 de dezembro. Serão colocadas caixas na entrada do CESAE Porto para a recolha dos bens acima referidos. Se porventura as pessoas não quiserem contribuir com bens, seria um gesto bonito contribuir, pelo menos, com algumas palavras de conforto e esperança num pequeno cartão ou bilhete, que serão postos numa caixa apropriada para o efeito.

No dia 20 de dezembro, far-se-á a saída para a distribuição de tudo o que foi recolhido até dia 17.

Para isso, o CESAE Porto irá trabalhar juntamente com várias associações : Núcleo Bonfim - Porto e Associação Portuguesa de Reiki - Sede no Académico Futebol Clube , Coração de Rua, Bebés de São João e Igreja NªSªConceição (Porta Solidária).

Cartaz elaborado pela Turma de Multimédia CESAE, do CESAE Porto

Existe o Norte e o resto....

           
 Baseando-se no texto de Miguel Esteves Cardoso com o título “Norte”, os formandos da turma CESAE de Multimédia, do CESAE Porto, partiram à descoberta das opiniões sobre as diferenças de pronúncias entre as regiões pelas ruas da cidade do Porto, fundamentalmente no Mercado do Bolhão, na Sé do Porto e nas ruas em redor destes locais emblemáticos.

Encontraram diversas pessoas extremamente ligadas ao Norte, defendendo as suas formas de falar, algumas adquiridas nos bairros onde nasceram, outras influenciadas pelas famílias de onde vieram e outras provenientes das regiões que os protegeram durante algum tempo.

Os formandos aperceberam-se que dentro do próprio Norte há distinção entre as pessoas (por exemplo entre o Douro e o Minho). De notar que atualmente as pessoas do Norte (do Porto mais propriamente) já utilizam e reconhecem várias palavras usadas noutros locais de Portugal Continental, nomeadamente em Lisboa, como são o exemplo das palavras: “cimbalino” para “bica”, “estrugido” para “refogado”, “bitoque” por “prego”, entre outras. Os formandos perceberam que apesar de algumas questões de pronúncia (distinção a nível da fonia), existe já um vocabulário que é generalizado e utilizado por várias pessoas em vários locais do país.


Turma Multimédia CESAE, CESAE Porto

Diversidade linguística nas ruas do Porto

A turma de Multimédia da AEP, do CESAE Porto, cirandou pelas ruelas portuenses em busca de encantos linguísticos. Procurou e encontrou muitas maravilhas que provam a diversidade linguística.


https://www.youtube.com/watch?v=8Jx20F8mctw

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Aprecio e incomoda-me



Uma miscelânea de excertos de textos dos formandos da Turma de Multimédia da AEP...

"Aprecio a beleza, emoção e as sensações.
Incomoda-me o vento. Aprecio a cidade do Porto. Aprecio Rock.
Incomodam-me pessoas indecentes.
Aprecio as pessoas que estão comigo. Incomoda-me o facto de ter de vir para aqui às 9h.
Aprecio um bom jogo de futebol e uma peladinha com os amigos. Incomoda-me o facto de algumas pessoas fingirem aquilo que não são.
Incomoda-me não ter água no meu copo. Incomoda-me falar sozinho. Aprecio o latido dos cães em conjunto com a música de fundo.
Aprecio as boas coisas que o mundo nos proporciona mas acima de tudo aprecio a minha liberdade.
Aprecio a esperança.
Incomoda-me a discriminação (...) somos todos iguais e acabamos todos da mesma maneira, mortos e debaixo da terra. Aprecio.... aprecio quem está sempre lá para mim; aprecio quem tem o dom de me fazer sorrir quando me apetece chorar.
Incomoda-me quando falo para as pessoas e elas não me respondem (...) incomoda-me quando me ignoram. Aprecio a vida, tento vivê-la ao máximo da melhor maneira possível.
Aprecio o amor verdadeiro.
Incomoda-me a desconfiança que muitas vezes existe sem haver indícios para isso acontecer, pessoas que não pensam por elas próprias. Incomoda-me quando me acordam antes do tempo.
Incomoda-me o frio nos olhos daqueles que estão sós e não o conseguem superar. Aprecio a alegria inquieta da interrogação, o ser-se criança quando na verdade já se cresceu.
Outra coisa que aprecio bastante na vida é o amor entre amigos, o amor das amizades, acho que o amor em si é bastante poderoso. O que me incomoda é o facto de certas pessoas serem tão mas tão egocêntricas... pensam que o mundo gira à sua volta, isso incomoda-me profundamente.
Incomoda-me quando toda a gente fala e eu não posso falar. Aprecio quando as pessoas têm uma grande amizade e que a amizade nunca acabe.
Incomoda-me não saber mais do que aquilo que já sei. Gosto da vida e de viver."

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A diversidade


A partir de um texto sobre a diversidade, os formandos foram  convidados a elaborar um poema, retirando todo o texto que não fazia falta, deixando apenas aquele que eles necessitavam para conseguirem atingir coerência no seu texto poético. Eis as preciosidades...

“À medida que nos libertamos do nosso próprio medo, a nossa presença liberta automaticamente outros.” (Rafael Rosa)

“Ser diferente, tomar atitudes que ninguém toma,

E usar os meios que ninguém usa.

Ser diferente, conformar com aquilo que somos.

Ser diferente, suportar o nosso carácter, o nosso

Temperamento.

Ser diferente, suportar que as pessoas que

Amamos, não nos amem, ou que não nos amem como gostaríamos” (Sara Teixeira)

 

“Ser diferente, com todo o valor

Tomar atitudes com todo o vigor

Não ceder às pressões

E nunca quebrar as leis eternas.

Ter consciência, suportar a dor

O segredo é a experiência

Os nossos desejos em plena percussão

Temos de suportar quem amamos

E evitar a traição

Ser diferente, ter o nosso carácter, tem tudo a ver

Com a superioridade intelectual de uma pessoa.” (Bruno Brás)

 

“O ser diferente não é a

Salvação é apenas

Quebrar o que temos

No coração.

 

Ser diferente

Ou intelectual

Barrigudos

Carecas ou

Até um cão.

 

A superioridade não é

Ser aquilo que não

Somos é querer ser

Aquilo que nunca

Fomos.

 

Na vida

São humanos e é a

Vida em si

Pois a sabedoria

Só depende de ti

 

Ser nós próprios

 

Temos de ter a

Consciência da vida

Se o mundo aceita

A nossa sabedoria” (Hélder)

 

“Ser diferente

É tomar atitudes

Dolorosas,

Esta é a maior tragédia

Que o destino pode

Suportar no coração.” (Ana Silva)

 

“Ser diferente, o desejo de ser outro, um desejo doloroso, a maior tragédia que pode castigar o homem. Temos de nos conformar com o que significamos para nós próprios e para o mundo, temos de suportar a traição, a infidelidade, a superioridade, a consciência, o egoísmo entre outros ataques dos lobos. O segredo é isso, temos de suportar é a nossa única salvação.” (Filipa Matos)

“A maior tragédia com que o destino pode castigar o homem é ser cão.

O não suportar a “superioridade” moral e intelectual é a única salvação.” (Artur Pereira)

 

“O destino do homem é ser cão

Ter o respeito dos lobos

É ter a superioridade

Moral e intelectual

E não ceder a pressões

Dessa sabedoria.” (Tiago Almeida)

 

“A única salvação do que é diferente

É ser até ao fim

Com todo o valor

Todo o vigor

Tomar as atitudes que ninguém toma

Usar os meios que ninguém usa

O desejo de ser diferente

É a maior tragédia

Com que o destino pode castigar o homem

Não é possível suportar a vida de outra maneira

Apenas sabendo que nos conformamos

Com aquilo que significamos

Para nós próprios.” (Bruno Peneda)

 

“A única salvação do que é diferente é ser diferente até ao fim.” (João Martins)

 

“Termos de suportar as pessoas,

É a mais difícil tarefa humana.

O segredo é isso,

A coragem é ser diferente” (Belinha)

 

“O segredo forte do ser humano

É ser diferente, é tomar atitudes,

É ter coragem de suportar a vida.” (Vanessa Silva)

 

“O desejo do ser humano

Ao quebrar os caprichos do momento

Sabermos e aceitarmos o temperamento

De egoísmos a arder no tempo” (Vítor Lima)

 

“Ser diferente é a maior tragédia

Sabermos suportar é uma experiência

O mais difícil entre as tarefas humanas

É ter consciência.” (Vanessa Rodrigues)

 

“Quem é ele? Que não quebra as leis e

Que provoca o respeito só com as suas atitudes?

Porque tem todo o valor, porque

É diferente. Não cede a pressões nem

Guarda rancor. Só sabemos que ele

É a salvação.” (João Soares)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Escrevinhar sobre a vida II

  O Sol já nasceu a algumas horas e ainda permaneço deitada, envolvida em lençóis e mais frases escritas que ontem. O trabalho está adiantado e já tenho em mente o final da história.
  Entre o balançar das cortinas consigo vê-la. Sempre em movimento, cheia de luz, de ânimo e objetivos. – A vida.
  Pergunto-me quem terá atribuído estes nomes a esta palavra tão pequena, tão frágil, tão duvidosa.
   Viver será mais importante do que aquilo que tenho entre mãos?
  Há quem diga que sim.
  E viver não será também aquilo que faço?
  Os meus textos têm movimento, ânimo, objetivos e todo o tempo que passo à sua volta parece tempo perdido para quem me observa. Todavia são o que mais me mantém viva.
  O silêncio é quebrado pelo bater da porta. É Alice com o almoço, e mais uma vez constata o meu estado, sentada, a fazer aquilo que sei fazer.
  Peço-lhe que coloque no local do costume, junto à cómoda. Já é velha, de madeira antiga, está na minha família há uns anos e a última gaveta faz sempre barulho ao abrir. Por isso limito-me a usá-la apenas para guardar objetos pessoais que já não utilizo com regularidade.
  Alice sai em sem comentar o estado do tempo, ou os dias que já passaram, ou como péssimo está o meu cabelo.
  Instantes depois volto a colocar os olhos entre linhas, e assim passam-se mais duas horas até que a minha caneta, subitamente, para de escrever. Estava a meio de uma descrição do jardim da casa do Sr. Almeida, recentemente viúvo e com uma neta para educar, quando acabou a tinta. É a terceira este mês.
  Grito por Alice, mas não obtenho resposta.
  Decido levantar-me e dirijo-me à secretária junto à janela. Abro a primeira gaveta, a segunda, vasculho entre os papéis soltos, empilhados sob cadernos gastos, e não encontro uma única caneta. Tem que ser uma caneta preta.
  Visto umas calças brancas e uma blusa fina que agora está uns números a cima, mas não me importo.   
  Há uma luz que me encandeia os olhos, ao abrir a porta principal, aquela que também aparece nos meus livros.  Ouço risos de crianças que brincam no fundo da rua e carros que se desviam de bolas que por vezes aparecem à frente das suas rodas.
O quiosque mais próximo fica a trezentos metros de minha casa e durante não consigo tirar do meu pensamento a frase que ficou a meio. Não me posso distrair. Nem há distração possível, pois tudo o que vejo, ouço e cheiro não alcança aquilo que vivo. A minha realidade.

Mónica Sousa